poememo-nos (p/ Lolaviola e Freyja)
Deitados estão os corpos.
Estendo a pena e toco-te, levemente
Estremecendo um corpo, dois... os três
Num arrojo de volúpia propagada
Qual onda sísmica gerada.
Debruçado, detenho os lábios
Sobre a triangular delta delicada
E responde em agonia a tua pele suave
No calor húmido dos meus lábios arrepiada.
E um suspiro livre liberta outro
Como eco de um só desejo à vez
Dividido, ou multiplicado, por três.
O dedo, essa pena de poeta
Inscreve sinusóides nos corpos
Jazentes, adjacentes, ardentes.
E neste escuro background
Eleva-se o claro coro dos gemidos
De desejos, há muito, contidos
Vogando como pássaros
De uma gaiola fugidos
Que nas paredes imaginárias
Embatem tontos, entorpecidos.
Procurando decantar o sentir
Perco-me nos sentidos
Numa ânsia inútil
De sintetizar o imaterial
Esquecendo que ao momento
Pertencem as emoções
E que só elas nele contam
Pois que os pássaros não cantam
Ao longo das quatro estações
E as flores não subsistem eternamente
Nas suas policromas decorações.
E os olhos, essas estrelas
Que o firmamento emprestou
Para sinalizar rotas, e vê-las
No universo, como faróis
Quedam-se cerrados
Deixando a outros sentidos
O sentido da navegação
Por entre ilhas e atóis
E pelos corpos siderais
O teu, o dela, e este meu
Naves espácio-temporais.
E gravito em torno dos vossos corpos cósmicos
Como satélite em perigosa espiral descendente
Prestes a despenhar-se.
E emito um grito ensurdecedor, inaudível… urgente.
Poememo-nos, já!
Ele
2005-09-26


1 Comments:
o poema tá giro, tá...
mas não ponhas o "word verification" nos settings, não...
é incrível a plurinacionalidade que ele alberga... 3 comentários de "entendidos made in usa" que denotam um grande interesse na matéria... :D
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