Wednesday, September 28, 2005

poememo-nos (p/ Lolaviola e Freyja)


Deitados estão os corpos.
Estendo a pena e toco-te, levemente
Estremecendo um corpo, dois... os três
Num arrojo de volúpia propagada
Qual onda sísmica gerada.

Debruçado, detenho os lábios
Sobre a triangular delta delicada
E responde em agonia a tua pele suave
No calor húmido dos meus lábios arrepiada.

E um suspiro livre liberta outro
Como eco de um só desejo à vez
Dividido, ou multiplicado, por três.

O dedo, essa pena de poeta
Inscreve sinusóides nos corpos
Jazentes, adjacentes, ardentes.

E neste escuro background
Eleva-se o claro coro dos gemidos
De desejos, há muito, contidos
Vogando como pássaros
De uma gaiola fugidos
Que nas paredes imaginárias
Embatem tontos, entorpecidos.

Procurando decantar o sentir
Perco-me nos sentidos
Numa ânsia inútil
De sintetizar o imaterial
Esquecendo que ao momento
Pertencem as emoções
E que só elas nele contam
Pois que os pássaros não cantam
Ao longo das quatro estações
E as flores não subsistem eternamente
Nas suas policromas decorações.

E os olhos, essas estrelas
Que o firmamento emprestou
Para sinalizar rotas, e vê-las
No universo, como faróis
Quedam-se cerrados
Deixando a outros sentidos
O sentido da navegação
Por entre ilhas e atóis
E pelos corpos siderais
O teu, o dela, e este meu
Naves espácio-temporais.

E gravito em torno dos vossos corpos cósmicos
Como satélite em perigosa espiral descendente
Prestes a despenhar-se.
E emito um grito ensurdecedor, inaudível… urgente.

Poememo-nos, já!

Ele
2005-09-26



1 Comments:

Blogger senhor zebedeu said...

o poema tá giro, tá...
mas não ponhas o "word verification" nos settings, não...

é incrível a plurinacionalidade que ele alberga... 3 comentários de "entendidos made in usa" que denotam um grande interesse na matéria... :D

February 13, 2008 at 8:49 AM  

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