Wednesday, November 26, 2008

ode a Natália

Cópia dactilografada, de autor desconhecido, atribuível aos surrealistas do grupo do Café Gelo, presumivelmente a Luiz Pacheco, reclamando da não inclusão da sua obra na Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica organizada por Natália Correia. Divertidíssimo, em bom vernáculo.






A NATÁLIA – ODE

Poesia respeitosíssima
pra que o leitor ou leitora
co'os olhos da alma a leia,
dedicada à Ilustríssima
e Excelentíssima Senhora
Cona Natália Correia.
.

Quando vi na Portugália
essa grande Selecção
publicada pla Natália,
a vaidade emocionou-me,
seguro de haver razão
para lá ver o meu nome,
ou a minha poesia,
pois em lugares dispersos
já publiquei muitos versos
bem dignos de Antologia!

Afinal nem uma linha,
nem uma nota mesquinha,
a Autora me concedeu!
Eu bem sei que pouco valho,
mas por que é que me esqueceu?
Ó Natália! Que caralho!

Acha acaso que os meus versos
não são bastante perversos,
obscenos e porcalhões,
e só por isso os recusa?
Não falam tanto em colhões
como exige a sua Musa?

– Pois vão ver como versejo,
a Natália e sua malta,
literatos de eleição.
Quero dar-lhes um ensejo
pra repararem a falta
numa 2.ª edição.

Bem sei que os versos que faço
não é co'o desembaraço
da Autora da Antologia,
que das Artes tem o ceptro:
ela de noite e de dia
fá-los finos e pequenos
e fá-los com grande metro.
Fá-los grossos e obscenos,
fá-los líricos e puros
e fá-los que até dá brado!
Fá-los erectos e duros
e fá-los de pé-quebrado.
Fá-los brancos, sem ter rima,
e fá-los muito vermelhos,
muito rubros, escarlates.
Fá-los de baixo pra cima,
fá-los até com pentelhos
e um grande par de tomates!,
que a Autora da Antologia
é mestra em falusofia!

Como eu sou da escola antiga,
se quiserem que lhes diga
qual a minha opinião,
não faço disso mistério:
nem sempre aprovo o critério
que serviu à Selecção.
Mas o crítico David,
com seu fino bisturi,
e talentosa centelha,
já afirmou nos jornais
que as poesias são daqui
(mimar atrás da orelha
ou nas partes genitais).

Natália,
Natália que o Tejo salga,
sabe a espuma, sabe a alga,
sabe mais: – sabe a algália!

Natália, não é chacota,
às vezes lembra Bocage:
quando apanha uma pichota,
como aquela boca age!
Só o que é belo a exalta.
A Poetisa, em maré alta,
nunca conhece declives.
E sans peur et sans reproche!
cinzela como um ourives:
cada poema é um broche!...

Adora qualquer manjar
(com tomates, então, pula!)
é simples, é popular,
ingénua, leve, garrula,
é ouvi-la perguntar:
– deito fora, ou quer que engula?

Com um notável desplante
e grande poder de acção,
leva sempre a sua avante.
Levar é sua ambição
pois tem alma até Almeida!:
leva na boca, na peida,
leva, é claro, na vagina,
leva em qualquer orifício,
e com algum sacrifício
até leva na narina!
Tão requintado é seu vício
que onde este amor goza mais
'inda é nas fossas nasais!

Se manda a criada ao talho
(outra rima do caralho)
a Natália, casta e pura,
a Deusa da maravilha,
a Poetisa da berguilha,
sempre obtém o que procura:
três doses de rabadilha
e uma dose de fressura.

Ninguém há que a ultrapasse,
é um vate de alta classe:
é Vat 69!

Põe casos de geometria
a quem dela se apaixone:
saber se alguém avalia
o volume do seu cone,
que não será conezia,
pois não há qual mais funcione,
seja de noite ou de dia!

Mas uma coisa consola:
quando passa pelas ruas
sua piedade é sem par:
se lhe pedem uma esmola,
Natália dá sempre duas
ou três, sem desencavar.

Em política é extremista
e acha que é preciso sermos
todos assim sem dilema.

Também no leito esta artista
não é lá de meios termos:
'tudo ou nádega' – é seu lema.
Seria uma grande perda
se ela fosse prá masmorra
por causa de tanta merda.
Não é lá por que discorra:
gosta de apartar prá esquerda
pra sentir melhor a porra!

Tão respeitável senhora
digna do tít'lo 'honóris'
é ditosa detentora
dum tão comprido clitóris
que cada vate panasca
que ela enraba fica à rasca,
alguns com o seu rasgão,
que gostam de pôr a nu.
Pois tão Ínclitos varões
'stão todos na Selecção
(todos, todos não cab'rão,
porque há lá muitos cabrões!)
mas a doer-lhes o cu!

É coisa averiguada:
como a Natália é dotada
de grande ivaginação,
tudo a põe em excitação
(como melhor se diria
em termos de Antologia):
– tudo a enche de tesão!
De ir prá cama tem a ânsia
esta notável vedeta.
Não desdenha uma punheta,
mas fode com elegância:
tem garbo naquela greta!

Quando a Natália se vem,
quando a Natália se esvai,
até grita pela mãe,
até grita pelo pai!
E então a morder a fronha,
etérea Natália sonha
no seu leito, casta e pura,
nuvens fofas de langonha
e alguma esporra à mistura.

Se depois desta poesia
com tanta palavra erótica,
que um suave lirismo doura,
eu não for pra a Antologia,
pela vontade despótica
da ilustre Selectora,
é tão grave represália,
filha de inveja ou intriga,
que outra igual nunca se viu.
E então consinta, Natália,
que à puridade lhe diga:
– Vá prá puta que a pariu!»
.

Thursday, May 11, 2006

nas pérolas



roçando no colar de pérolas da noite
como navegante da via láctea
desejei-te com palavras
mas a realidade
fragmentou-as
e devorou
este querer
delirante
(arte gráfica by O.Berandis)

Lua



Ai! Lua
que derramas
sobre mim
o teu feitiço
...
e em transe
me deixas
vagueando
num limbo
da memória
(artedigital by Royo)

Wednesday, September 28, 2005

poememo-nos (p/ Lolaviola e Freyja)


Deitados estão os corpos.
Estendo a pena e toco-te, levemente
Estremecendo um corpo, dois... os três
Num arrojo de volúpia propagada
Qual onda sísmica gerada.

Debruçado, detenho os lábios
Sobre a triangular delta delicada
E responde em agonia a tua pele suave
No calor húmido dos meus lábios arrepiada.

E um suspiro livre liberta outro
Como eco de um só desejo à vez
Dividido, ou multiplicado, por três.

O dedo, essa pena de poeta
Inscreve sinusóides nos corpos
Jazentes, adjacentes, ardentes.

E neste escuro background
Eleva-se o claro coro dos gemidos
De desejos, há muito, contidos
Vogando como pássaros
De uma gaiola fugidos
Que nas paredes imaginárias
Embatem tontos, entorpecidos.

Procurando decantar o sentir
Perco-me nos sentidos
Numa ânsia inútil
De sintetizar o imaterial
Esquecendo que ao momento
Pertencem as emoções
E que só elas nele contam
Pois que os pássaros não cantam
Ao longo das quatro estações
E as flores não subsistem eternamente
Nas suas policromas decorações.

E os olhos, essas estrelas
Que o firmamento emprestou
Para sinalizar rotas, e vê-las
No universo, como faróis
Quedam-se cerrados
Deixando a outros sentidos
O sentido da navegação
Por entre ilhas e atóis
E pelos corpos siderais
O teu, o dela, e este meu
Naves espácio-temporais.

E gravito em torno dos vossos corpos cósmicos
Como satélite em perigosa espiral descendente
Prestes a despenhar-se.
E emito um grito ensurdecedor, inaudível… urgente.

Poememo-nos, já!

Ele
2005-09-26



Sunday, September 25, 2005

Para ti Maria

em noites de solidão te encontrei
em noites de luzes te conheço
em dias de lágrimas te percebo
em mundos de afectos te abraço

em horas de sorrisos te descubro
em minutos de gargalhada te deslumbro
em sempres de hoje te amo.

Para ti minha amiga irmã cúmplice
menina de olhos doces e coração puro
corpo de deusa e suspiros de sereia.

Não tenho joias para te oferecer
nem pérolas nem sonhos nem magias

A magia está dentro de ti
A tua beleza não é eterna
A tua juventude é uma estrela cadente
Mas a tua alma é um farol

E a minha amizade é tão enorme como um sorriso.

terno como o teu cabelo de caracóis que beijam os teus ombros de porcelana.

real como o abraço que te darei minha amiga.

Friday, July 01, 2005

Amo-te

Amo-te maria minha alma irmã minha estrela das manhãs meu sorriso de ternura minha alegria dos dias que se esquecem de sorrir.